A Crônica De Uma Saudade De Amor
Numa tarde qualquer de inverno, lá estava eu em minha belíssima cobertura em Manhattan, sentada no chão de minha sala, em cima do meu tapete de pelo na cor branca; Tomando uma xicara de cappuccino de canela, enquanto o som do disco Red (Taylor's Version) da Taylor Swift (que é o meu disco favorito da minha cantora favorita) tocado em minha vitrola ecoava pelo meu apartamento.
Pois então num momento relaxante meu, tomando meu café
ao som da música All Too Well (10 Minute Version) e aí naquele instante me
deixando levar pela música, eu fechei os olhos, permitindo que a música se
infiltrasse em cada fresta de minha própria consciência; O som analógico, com
sua imperfeição encantadora, parecia trazer de volta não apenas a Taylor, mas
também fragmentos de meu romance. O encarte repousava aberto sobre o meu colo,
e eu passava os dedos pela imagem dela
com o icônico chapéu e o anel de "Red", como quem acaricia uma
lembrança distante e fazendo uma viagem no tempo através das canções de Taylor.
E então naquele momento, a vitrola girava, eu me
deixava levar, como se cada nota fosse escrita para mim, e apenas para mim; As
notas finais de All Too Well ainda ecoavam quando estiquei o braço e puxei meu
notebook que estava em cima da mesa de centro e o puxei para o meu colo;
substituindo o encarte do disco pelo brilho suave da tela. O contraste entre o
calor do cappuccino e o ar gélido de Manhattan que batia no vidro da janela era
o cenário perfeito para a minha coluna semanal no The New York Times chamada
Love, Drinks and Manhattan.
A música continuava a preencher o ambiente, e cada
acorde de piano parecia uma batida direta em meu peito, o nome de meu amado:
Benedetto Leone ecoava em minha mente, no mesmo ritmo das rotações do vinil.
Abri meu computador, mas por alguns segundos apenas encarei o cursor piscando,
sentindo aquela saudade física, que dói no fundo da garganta e faz Manhattan
parecer grande demais para uma pessoa só. Enquanto eu encarrava a pagina em
branco aberta em meu notebook, a imagem do meu namorado parecia se materializar
entre os flocos de neve que começavam a cair lá fora; Me lembrei do brilho no
olhar dele, um brilho que era exclusividade só minha e de como o cappuccino
dele era tão doce tanto o meu, mas o abraço dele era o meu porto seguro onde eu
sempre ancorava.
Sobre o amor, notei, que não era só o que eu lia em
manuais de etiqueta ou via nos filmes que estreavam na Broadway; Para mim o
amor tinha nome e sobrenome e era o dele. Era a falta que eu sentia do meu
Benedetto Leone que transformava o disco da Taylor Swift tão visceral naquela
tarde. A saudade não era apenas um vazio, era uma presença constante, um
fantasma elegante que se sentava ao meu lado no tapete branco.
Então meus dedos voaram pelas teclas, impulsionados
pela melancolia outonal que o disco havia despertado, comecei a escrever e as
palavras saíram em um fluxo confessional:
Entre lembranças e rotinas: o papel da
saudade na vida moderna
Por Katherine Blake
"Dizem que Manhattan é a cidade que
nunca dorme, mas ninguém avisa que o silêncio de uma cobertura pode ser
ensurdecedor quando falta uma risada específica. Afirmam também que o inverno
em Manhattan é a estação dos contrastes. O branco imaculado da neve contra o
cinza do asfalto; O vento cortante da Quinta Avenida contra o calor dos cafés
no Upper West Side. Mas hoje sentada no chão da minha sala, descobri que o
maior contraste não está somente no clima, mas no som de um apartamento que
parece enorme demais, quando falta um par de passos específicos.
Pois então hoje eu escrevo sobre a
distância, não aquela que é medida em quilômetros ou milhas, mas aquela que
sentimos quando o lugar favorito de alguém no sofá está vazio; Até porque eu
costumava acreditar que a saudade era um sentimento azul. Algo melancólico,
pálido, como uma manhã de neblina no Central Park. Mas ao ouvir os estalidos de
um disco de vinil e sentir o aroma de canela no ar, percebo que a Taylor Swift
estava certa: a verdadeira saudade é vermelha.
É uma cor pulsante, que queima. É a
intensidade de lembrar de um detalhe banal: como a maneira que ele segura a
xícara de café, ou o som da sua risada abafada pelo trânsito. É como se lembrar
do cheiro do perfume dele impregnado em meus casacos, das discussões bobas que
terminavam em beijos e da maneira como ele me chamava, fazendo com que eu me
sentisse a única mulher no mundo. E sentir um aperto no peito que nos tira o
fôlego.
Amar um homem como Benedetto Leone é
entender que o vermelho não é apenas uma cor, é a intensidade de uma saudade
que queima, que aquece e que, por vezes, nos deixa sem palavras, em um estado
constante de tradução; Em que eu tento traduzir em palavras o que só o toque e
o beijo dele conseguem explicar.
O amor não é apenas sobre os momentos em
que estamos juntos, brindando em coberturas luxuosas ou caminhando sob as luzes
da cidade. O amor se prova no vazio. É na poltrona vazia que o coração se
revela. É no desejo impetuoso de querer contar uma piada interna e perceber que
o destinatário ainda não cruzou a porta, é sobre esquecer o seu cachecol
vermelho no apartamento do seu namorado. Portanto o amor é também sobre um
buquê de rosas vermelhas que chega sem aviso numa manhã de domingo, no balanço
rítmico do metrô, quando dividimos o fone de ouvido para ouvir as composições
de Taylor Swift, sentindo que cada verso foi escrito para nós e na coragem de
usar um cardigã de lã e sentir-se protegida do cinismo do mundo.
Escrevo este texto, porque Manhattan está
cheia de pessoas que fingem não sentir. Corremos atrás de prazos, de ações e de
status, nos grandes contratos que assinamos ou nos prédios que levamos anos
para construir. mas na capacidade de se perder em uma livraria entre clássicos
de Shakespeare e romances contemporâneos. É na magia de um Cappuccino de Canela
tomado no balcão de um Starbucks, percebendo que o destino pode estar em um
pedido trocado. O amor é o detalhe. É a dança louca na sala de estar quando ninguém
está olhando. É ser, finalmente, a protagonista da sua própria canção favorita.
Mas contudo é também sobre o fim do dia
numa cidade caótica, onde todos somos apenas crianças grandes procurando por um
lugar que pareça um lar. E para mim, "lar" deixou de ser um endereço
postal para se tornar um par de braços.
Portanto se você tem alguém especial que faz o seu mundo
girar mais devagar em meio ao caos desta metrópole, não espere o sinal abrir.
Diga. Escreva. Sinta. Porque a saudade, por mais que doa, é a prova mais vívida
de que encontramos algo que vale a pena a espera e que a vale a pena, cada
instante que temos com essa pessoa especial assim que a espera termina, como:
uma chuva que foi embora ou o chamado para o seu próximo voo e aventura.
E desse modo, eu me lembro de tudo que eu
vi e vivo com o meu grande amor Benedetto. E a cada nota que toca nesta
vitrola, eu me lembro ainda mais: do dia em que nos conhecemos numa cafeteria
por causa dos nossos pedidos um cappuccino de canela, terem ficado prontos na
mesma hora com as nossas mãos se encontrando para pegar o copo de cappuccino;
Do nosso primeiro beijo numa balada, no meio da pista de dança ao som Let's Go
do Dj Calvin Harris, da nossa viagem a Paris, onde a gente observava o pôr do
sol no topo da Torre Eiffel e ele me pediu em namoro. Da gente andando de metrô
por aí e ele me levando para jantar num restaurante italiano escondido no
Greenwich Village e até mesmo do halloween onde eu me fantasiei de mulher gato
e ele(Benedetto) se fantasiou de Batman.
Descobri também que, a verdade é que
Manhattan nos ensina a sermos autossuficientes, a guardarmos nossas
vulnerabilidades sob casacos de grife e expressões impenetráveis. Mas a saudade
tem uma maneira indelicada de rasgar essas camadas. Ela nos lembra que, por
trás de cada janela iluminada nestes arranha-céus, existe alguém esperando um
sinal, uma mensagem, ou apenas o som de uma chave girando na fechadura.
Pois então, não escrevo sobre a saudade
que se lamenta, mas sobre a saudade que se celebra. Sinto falta de Benedetto,
mas não porque sou incompleta, mas sim porque a vida com ele tem uma resolução
mais alta, cores mais vibrantes e uma trilha sonora muito mais bonita. É a
falta dele que me faz perceber que as melhores coisas da vida não são as que
acumulamos, mas sim as que compartilhamos.
Porém termino esta coluna com uma
confissão: o meu cappuccino já esfriou e o disco está chegando ao fim. No
entanto, o calor que sinto agora não vem da bebida, nem do aquecedor central de
minha casa. Mas todavia, vem da certeza de que, em algum lugar entre as luzes
de Wall Street e a neve que cai aqui no Upper East Side, existe um coração que
bate no mesmo ritmo que o meu.
A saudade, afinal, é apenas o amor em modo
de espera. E eu descobri que, se esse amor for verdadeiro, se for aquele tipo
de amor "vermelho" e profundo que Taylor Swift descreve tão bem em suas
canções, a espera nunca é um tempo perdido. E sim apenas um intervalo entre
dois grandes atos de uma mesma e belíssima história de romance em meio ao caos
da cidade grande.
Então para você que me lê e também sente
falta de alguém hoje: não tenha medo do silêncio. Use-o para ouvir o que o seu
coração está tentando dizer. Às vezes, a saudade é o único caminho de volta
para casa e por fim descobri, que a saudade e o amor na cidade de Manhattan, são
feitos de pequenos instantes de cor. A cor de uma Noite Estrelada de Van Gogh
que nos faz sentir pequenos e infinitos ao mesmo tempo.
Pois então, logo após de eu ter terminado de escrever
e publicar o meu novo texto/artigo em
meu jornal The New York Times, e ter tomado meu café; Eu desligo o meu notebook
e em seguida coloco ele em cima da minha mesa de centro e depois eu pego, me
levanto, e vou até a minha janela observar a neve que caia lá fora; Me sentindo
completamente apaixonada pelo homem que levou o meu coração com ele e
percebendo que a saudades que eu sinto hoje, pode ser preenchida com a presença
de meu amado namorado aqui comigo hoje, amanhã ou depois, mas que ela será
preenchida pelo calor de seus beijos e abraços.

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