Entre Vinhos E Segredos
Havia se passado umas semanas desde que eu vi o meu namorado Benedict e desde também que eu tive um tempo só para mim, as temporadas das festividades de fim de ano haviam acabado, Eu havia passando o fim do ano, na casa dos meus pais em Boston e o meu namorado havia viajado para passar o fim do ano na Europa e com isso um novo ano havia chegado e como isso a volta a rotina normal do dia-a-dia; eu voltei a trabalhar feito louca no jornal e o Benedict também havia voltando a rotina intensa como empresário e dono de uma grande empresa de tecnologia e por conta disso fazia um tempo que não nos víamos e tínhamos um momento à dois.
E quando tínhamos um momento para conversamos por
telefone, eu sentia que o Benedict estava meio estranho e meio distante, mas
achava que isso tudo era por conta do trabalho. Mas aí nuns dias atrás, meu
namorado disse que precisava me ver e que na sexta à noite, iria vir para o
apartamento em que eu morava, não só para me ver e matar a saudades que ele
estava de mim, mas para finalmente passarmos um tempo juntos e relaxarmos um
pouco dessa cidade caótica que é Manhattan e eu estava muito feliz, por
finalmente poder ver o meu namorado.
Então numa sexta-feira de lua cheia, o mundo parecia
suspenso entre a realidade e a imaginação, onde a cidade respirava mais
devagar; Isso tudo entre sombras alongadas e o reflexo suave da luz nas janelas,
da varanda do meu charmoso apartamento no vigésimo sexto andar do edifício Queen
Elizabeth em Upper East Side. Dentro de
meu moderno e luxuoso apartamento, o caos desta cidade era apenas um brilho
silencioso.
O ambiente estava submerso em uma luminosidade suave,
vinda apenas de alguma velas e do reflexo da lua nos prédios vizinhos. Uma
música clássica do Bon Jovi chamada Always tocada em minha vitrola preenchia os
espaços vazios, enquanto o aroma de um Merlot encorpado pairava no ar.
Eu estava acomodada em meu sofá de veludo verde oliva,
com a minha cabeça apoiada no ombro do meu namorado Benedict Wayne; Na qual
estávamos juntos há mais de cinco meses e cada momento nosso parecia uma peça
de um quebra-cabeça que se encaixa perfeitamente.
Porém o Benedict, estava mais silencioso do que o seu
habitual. Ele girava sua taça de vinho entre os dedos, observando o liquido
rubi, antes coloca-la em minha mesa de centro e caminhar até ficar parado no batente das portas francesas
que levam para o meu terraço observando fixamente a lua cheia brilhando no seu
céu estrelado distraído e no mundo da lua, como se tivesse alguma coisa que
deixasse ele assim calado e depois com uma expressão de preocupação e então eu caminhei
até ele, pois comecei a ficar preocupada com o meu amado, só de olha-lo assim.
E sendo assim ele respirou fundo, aspirando o meu perfume- uma mistura de rosa
e âmbar- Dando-lhe a coragem que ele precisava.
Portanto ele se virou para mim, segurando as minhas
mãos com uma delicadeza quase reverente. Seus olhos castanhos que sempre achei
profundos demais para um “nova-iorquino”, brilhavam com uma honestidade nua.
-Katherine...-ele iniciou com, a sua voz descendo um
tom, tornando-se mais aveludada.
-minha amada, eu preciso que você me escute, não
apenas com seus ouvidos, mas também com o seu coração. Existe uma parte de mim,
que eu guardei em segredo, mas não pela falta de confiança, mas sim pelo medo
extremo de como o mundo veria o homem que eu era antes de chegar aqui em
Manhattan.- ele continuou
Mantive o olhar fixado nele, sentindo uma antecipação
elétrica, de minha parte, pensando: o que será que aconteceu com o meu amor? E
se está tudo bem com ele? Benedict por todavia continuou, e gradualmente, o
ritmo de sua fala mudou. O seu sotaque americano perfeito, começou a ceder a um
lugar e uma melodia mais quente e rolada.
-meu nome não é Benedict Wayne, Wayne era o sobrenome
de solteiro do meu querido avô, na qual eu utilizei para poder me reinventar
nesta cidade. Eu nasci Benedetto Leone. Sou Italiano e venho de uma pequenina
vila na região da Toscana, chamada Pienza, onde o cheiro de um queijo pecorino
e de um alecrim fresco dominam as manhãs.- ele disse dando um pequeno sorriso
nostálgico, acariciando o meu polegar
-minha vida lá era feita da terra e do sol. Meu pai
era viticultor, e eu cresci entre as vinícolas aprendendo que as coisas mais
valiosas e preciosas do mundo, levam um certo tempo para amadurecerem. Eu
acabei saindo da Itália não só após uma grande perda familiar que tive, mas
também pois eu queria crescer profissionalmente na área da tecnologia por causa
do meu mérito e talento e não ser um grande profissional da área tecnológica, só
porque eu sou da imensa família Leone; Isso tudo querendo ser alguém novo, que
não carregasse o peso do luto que eu estava vivendo e das tradições. Mas
estando com você Kitty... Eu percebi que eu não quero mais esconder o Benedetto
e nem as minhas origens. Eu quero ser e quero que você conheça o homem que fala
com as mãos, que se emociona ouvindo Andrea Bocelli e que, no fundo, nunca
deixou de ser aquele menino toscano.- ele continuou dizendo
-eu também não queria ter mentido para você, mas eu
tive um medo extremo de você não me aceitar do jeito que eu sou de verdade sem
a “mascara” do Benedict Wayne e acabar perdendo você, a mulher que mais amo
neste mundo. Sei que eu menti quem eu era, mas eu nunca menti quanto ao fato de
ser completamente apaixonado por você, pois todo o sentimento de amor que eu
tenho por você é e sempre serão verdadeiros e agora eu quero continuar te
amando sendo Benedetto Leone e o Italiano tradicional que eu sou. Isso se você
ainda quiser ficar comigo, sendo quem eu sou de verdade agora, sem segredos ou
mentiras?- ele completou dizendo enquanto olhava fixamente para mim
Permaneci em silencio por um instante, mas não era um
silencio de choque ou raiva pelo maior segredo da vida do Benedict, quero dizer
Benedetto, ter sido revelado. Ele me olhava com uma cara de quem estava
pensando: Será que ela está com raiva de mim, por eu ter contado a verdade para
ela? Será que agora ela vai terminar comigo e nunca mais vai querer me ver na
vida, por eu ter mentindo ou melhor omitindo quem eu era para ela? Será que eu
perdi o grande amor da minha vida e a pessoa que eu mais amo no mundo?;
Mas então um sorriso lento e iluminado começou a
surgir em meus lábios. E logo em seguida levei a minha mão ao rosto dele,
sentindo a textura de sua barba rala. Já que eu tinha as minhas suspeitas, das
razies europeias dele, pois tinha algo nele que me fascinava e eu não sabia o
que era; Mas que agora eu sei.
-Benedetto...-apreciei o som do nome dele,
pronunciando-o com uma doçura que o fez estremecer.
-Marshmallow, você realmente havia achado que eu não
percebi? A sua paixão pela culinária italiana, o jeito que os seus olhos
brilham nas inúmeras vezes que conversamos sobre a arte clássica... e,
sinceramente, nenhum americano “puro” sabe escolher um bom vinho como você
sabe. E eu já tinha há um bom tempo uma desconfiança das suas raízes europeias,
eu só não sabia que elas era tão profundas assim- eu continuei
Portanto eu me aproximei ainda mais de meu namorado,
unindo nossas testas e;
-acho que você não sabe, mas eu sou fascinada, tenho
uma paixão pela Itália e pelos italianos e os italianos sempre foram o meu
ponto fraco. Pois há algo na alma de vocês que é... sei lá fogo e poesia. Mas
não é a sua nacionalidade que me fez ficar; Pois eu amo o homem que você é aqui
em New York e agora amo mais ainda o homem que você foi lá na Toscana. Benedict
ou melhor Benedetto, você é e sempre será o grande amor da minha vida
independente de tudo e eu irei sempre te apoiar e apoia-lo em cada versão sua
que você quiser apresentar há esse magnifico mundo.- eu disse olhando
profundamente em seus olhos e pegando em sua mão
Um grande alivio inundou o meu amado Benedetto e isso
era visível, pois então ele me puxou pela cintura para um beijo que carregava a
toda a verdade que acabará de ser revelada; Um beijo que agora não era só mais
uma mascara, mas sim uma entrega total nossa. A música continuava a tocar ao
fundo, mas nós não ouvíamos mais nada ao não ser a respiração, um do outro. Depois
disto entre os carinhos e algumas declarações de amor ditas em inglês e num
italiano que deixava a minha pele arrepiada e desarmava todas as minhas forças.
Nós seguimos para o meu quarto, onde a luz da imensa lua cheia desenhava sombras
em nosso corpos colados.
Naquela noite de sexta-feira, sob o céu da cidade que
nunca dorme, não haviam mais segredos nenhum, apenas eu e meu belo e charmoso
italiano Benedetto, nos amando com uma intensidade revitalizada, perdidos num
oceano de beijos e na promessa, de que a partir desta noite, seriam inteiros um
para o outro e não haveriam mais nenhum segredo entre nós e seriam quem somos
de verdade um para o outro, sem se importar com nada e nem ninguém neste mundo,
somente com belo e magnifico casal que somos e como o nosso grande amor.
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