Crônica De Um Cappuccino De Inverno
Em uma manhã bem fria de sexta-feira, onde uma forte onda de neve caia lá fora transformando os arranha-céus vizinhos em silhuetas borradas, como dava-se para se ver pelas imensas janelas que iam do chão ao teto e a luz da manhã entrou pelas frestas da cortina, pintando listras douradas pelo meu quarto, eu despertei lentamente com os meus cabelos castanhos que estavam espalhados pelo travesseiro como uma seda escura; Sentindo o peso reconfortante das minhas cobertas de linho egípcio;
E isso com o Benedetto me depositando centenas de
beijos, então eu abri os meus olhos lentamente enquanto sentia o braço pesado
de Benedetto em volta da minha cintura colado às suas costas, em um emaranhado
de pernas e braços que tornava impossível dizer onde um terminava e o outro
começava. Pois então me virei vendo ele deitado ao meu lado, me olhando com uma
cara de apaixonado e com um sorriso lente, que se formou em seu rosto. Ele estava sem camisa e com o seu cabelo castanho
todo bagunçado, mas mesmo assim ele continuava lindo e gato como sempre e eu
sorri discretamente, guardando aquele momento só para mim.
Contudo ele me puxou ainda mais para perto dele, o
silencio entre nós, não era vazio, mas sim cheio de palavras de amor não ditas;
Apoie o meu rosto no peito dele, ouvindo seu coração bater mais firme, como se
fosse o compasso que me guiava naquele momento. A nevasca tornava o mundo mais
distante e até irrelevante, ali em minha cama, agarradinhos, eu e meu namorado
éramos o centro mais intimo e secreto do nosso próprio universo.
Desse modo, pensei que não houvesse nada mais
romântico na vida, do que acordar assim: protegida, aquecida e envolvida por um
amor que se revelava nos simples e pequeninos gestos: um toque, um olhar e até
um silencio compartilhado.
Então esse silencio foi quebrado e;
-buongiorno amore mio!- ele disse olhando para mim
-bom dia, Marshmallow!- respondi olhando para ele
-sabe Kitty, você fica tão linda pela manhã, quando
acaba de acordar!- ele respondeu pegando em minha mão
-você acha, meu Benedetto?- perguntei ainda olhando
para ele e apreciando sua beleza pela manhã
-não só acho, como eu tenho certeza amore mio- ele
respondeu e logo em seguida depositou um beijo em minha mão
Depois disso passamos alguns minutos ainda deitados na
cama, por preguiça de levantarmos pois estava um clima bom e porque hoje
tiraríamos um dia de folga de nossos respectivos trabalhos para descasarmos e
ficarmos juntos. Aí de repente me veio a brilhante ideia de sair para tomar
café da manhã na cafeteria que havia do lado do meu prédio e depois dar uma
volta pela cidade nesse dia lindíssimo de inverno(já que o inverno é a minha
estação do ano preferida).
-meu caro Benedetto, o que você achar de sairmos para
tomar café da manhã, na cafeteria que tem aqui do lado e depois dar uma volta na
cidade?- perguntei olhando para ele
-eu iria adorar, minha Kitty!- ele respondeu
Então nós nos levantamos da cama e logo em seguida nos
separamos por alguns instantes para o banho e a rotina de cuidados. No meu closet
cinematográfico, o contraste era visível: as roupas dele, em tons sóbrios e
cortes europeus, ao lado dos meus looks estruturados e femininos. Logo após a
nossa rotina de cuidados matinal; Nós atravessamos a sala de estar da
cobertura, onde as paredes de vidro mostravam uma Manhattan pintada de branco.
Eu estava vestindo um sobretudo de lã batida na cor marrom chocolate, ajustado
na cintura por um cinto fino. Por baixo, um vestido de tricô gola alta bordô,
meia-calça térmica preta, botas de cano curto de salto fino e uma bolsa
clássica da Chanel; Meus óculos de armação de tartaruga completavam o ar de
"magnata do jornalismo". Já meu namorado estava vestindo Um casaco
longo de alfaiataria azul-marinho sobre um suéter de cashmere cinza chumbo.
Calças de sarja escuras, botas de couro robustas e o relógio de luxo no pulso
era o único acessório necessário. Os óculos de armação preta moderna e a barba
rala bem cuidada davam a ele o ar de um gênio da tecnologia saído de uma
passarela de Milão.
Pois então o Benedetto pegou as luvas de couro dele e
ofereceu o braço para mim;
-pronta para ir, minha Kitty?- ele perguntou de um
jeito charmoso
-claro, estou pronta para tudo, meu Marshmallow!-
respondi ajeitando a gola do meu sobretudo
O elevador privativo nos levou rapidamente ao térreo.
Quando as portas se abriram no hall de mármore, o porteiro de luvas brancas nos
cumprimentou com um aceno respeitoso. Ao cruzarmos a porta giratória de vidro,
o ar gélido de Nova York tocou meus rostos. Assim que saímos do famoso prédio Queen
Elizabeth, Benedetto passou o braço protetoramente pelos meus ombros, enquanto
caminhávamos lado a lado, num quadro perfeito de sofisticação sob a neve que
voltava a cair, atraindo olhares de admiração de quem passava pela calçada da
Quinta Avenida.
O ambiente da cafeteria de luxo batizada Maison
Manhattan, aonde as paredes eram de tijolos aparentes originais do século XIX,
mas com um acabamento acetinado; Como dava para se notar conforme íamos nos
aproximando do local. Contudo quando a porta de vidro pesado se abriu, o sino
de bronze tocou, anunciando a nossa chegada. A entrada foi magnética. O porte
robusto de Benedetto, com seu sobretudo azul-marinho e os ombros largos que
pareciam preencher o portal, contrastava perfeitamente com a minha figura
decidida e delicada ao lado dele.
Caminhei com uma postura de quem comandava com
autoridade, o meu sobretudo marrom chocolate perfeitamente alinhado, enquanto o
salto das minhas botas estalava
ritmadamente contra o piso; E ao meu lado estava meu charmoso namorado. Alguns
cliente até pararam de conversar quando viram eu e o Benedetto lá, pois não era
todo dia em que se via uma bilionária e brilhante jornalista junto com um gênio
tecnológico e grande programador; Compartilhando um momento tão cotidiano de
Manhatan.
Portanto nós dois nos aproximamos do balcão de mármore
escuro e ele passou o braço por trás da minha cintura, para me proteger do
grande movimento de pessoas que haviam ali. Com isso a atendente veio até nós e
então fizemos nossos pedidos: dois cappuccinos de canela e dois cinnamon rolls,
que haviam acabado de sair e estavam quentinhos.
Deste modo enquanto aguardamos nossos pedidos,
Benedetto ajeitou uma mecha dos meus cabelos castanhos, que havia saído do lugar
por causa do vento lá fora. Quando nosso pedido finalmente ficou pronto e
chegou, o aroma de canela que era envolvente, rodeou o ambiente; Então pegamos
nossas bandejas e nos dirigíamos a uma mesa isolada perto da vitrine, onde a
janela era imensa de vidro duplo que isolava totalmente o barulho do tráfego.
Elas iam do chão ao teto, emolduradas por molduras de bronze, oferecendo uma
visão panorâmica da calçada sendo lentamente coberta pelos flocos brancos de
neve.
Logo chegamos a nossa mesa, Benedetto depositou a
bandeja e começou a dispor os itens sobre o metal dourado, criando um cenário
de puro conforto: os cappuccinos de canela, que estavam em xicaras de porcelana
branca, pesadas e aquecidas, foram colocadas exatamente à frente de cada um. A
espuma de leite estava densa e brilhante, decorada com uma arte de
"rosetta" que servia de tela para uma chuva generosa de canela
marrom-escura. O aroma era tão intenso que parecia criar uma bolha ao redor
deles. Já os cinnamon rolls estavam em pratos de cerâmica que foram colocados
no centro da mesa, os pães doces ainda fumegavam, exalando aquele cheiro
inebriante de açúcar mascavo derretido. O glacê de cream cheese estava no ponto
perfeito, começando a derreter e brilhar sob a luz âmbar da cafeteria.
Assim que nos sentamos, nossa diferença de altura
ficou evidente e encantadora; Eu parecia quase minúscula na cadeira de veludo,
minhas mãos pequenas e delicadas envolviam a xicara enorme como se procurassem
um tesouro. Já Benedetto, por um outro lado, ocupava todo o espaço com a sua
postura imponente; Ele se inclinou para frente, apoiando os seus cotovelos na
mesa. Seus belíssimos olhos castanhos fixavam em meus olhos, por trás das
lentes dos óculos moderno dele.
-isso aqui está perfeito!- eu disse murmurando
enquanto o vapor do cappuccino embaçava levemente os meus óculos
Ele sorriu enquanto levantava um dedo ao canto da
armação de tartaruga minha, para ajustá-la.
-sabe Kitty, o frio, o cappuccino de canela e você são
a melhor combinação que eu poderia ter um minha vida1- ele respondeu enquanto
pegava o grafo de prata, para então cortar o primeiro pedaço do cinnamon roll
Pois então eu sorri de volta, e com o calor da lareira
à direita e o frio da neve que batia suavemente no vidro à esquerda, nós
ficamos ali tomando um delicioso café da
manhã enquanto conversávamos sobre os filmes que foram indicados ao Oscar, sobre
nossos trabalhos, sobre o por quê o inverno é a melhor estação do ano, e até
mesmo rindo de piadas que o Benedetto me contava, em meio a cappuccinos de
canelas e cinnamon rolls que completavam o clima perfeito, para uma manhã
perfeita.
Depois de um tempinho, o final do nosso café da manhã
foi marcado por um breve silencio entre nós dois; Dei o ultimo gole no meu
cappuccino, deixando uma leve marca de espuma em meu lábio superior, que o
Benedetto limpou com o seu polegar antes de me depositar um beijo rápido e delicado
no lugar.
Portanto nós nos levantamos em sincronia, Benedetto,
com sua cavalaria natural, me ajudou a ajustar o meu sobretudo marrom
chocolate; Depois ele envolveu meu pescoço num cachecol de cashmere que
combinava com o tom bordô do meu vestindo, garantindo que eu não ficasse com
nenhum centímetro de pele exposta ao vento cortante e acabasse pagando uma
gripe. Eu por minha vez, ajeitei a gola do casaco azul-marinho dele, dando
tapinhas carinhosos em seu peito musculoso.
-pronta para a nossa caminhada de inverno, minha amada
Kitty?- ele perguntou retirando do bolso um par de fones de ouvido sem fio
-pronta, meu amado Marshmallow!- respondi
Logo ao cruzarmos as portas do “Maison Manhattan”, o
frio de Manhattan nos atingiu, mas
estávamos protegidos pela bolha de calor que criamos lá dentro da cafeteria; Benedetto
colocou um dos fones em meu ouvido direito, e o outro em seu ouvido esquerdo.
Então a melodia de "Who’s in Your Head" dos Jonas Brothers começou a
pulsar em nossos ouvidos simultaneamente. O baixo contagiante da música pareceu
ditar o ritmo de nossos passos na calçada coberta de branco.
Deste modo começamos a caminhar de mãos dadas, a minha
pequena mão estava ninhada com segurança na gigantesca palma de Benedetto. O fio invisível da conexão da
canção, nos isolava do barulho e caos desta cidade, transformando a calçada que
andávamos em nosso palco particular. Ao
som do refrão vibrante, balancei levemente a minha cabeça, com os meus belos
cabelos castanhos escapando por baixo da gola de meu sobretudo; Benedetto
acompanhava o ritmo com um estalar de dedos discreto, sentindo-se o homem mais sortudo
do mundo por a mulher mais bela ao seu lado, que no caso, sou eu.
Enquanto isso apreciávamos as magnificas e
deslumbrantes vitrines das lojas de
luxos e curtíamos a batida da música, ao mesmo tempo que ele me puxava para
mais perto, passando o braço dele por cima de meus ombros, para me manter
aquecida; encostei minha cabeça no braço dele, com nossos óculos ficando
levemente salpicados por flocos de neve cristalinos e enquanto eu ficava
maravilhada com as novas bolsas da Chanel expostas na vitrine de sua loja.
Portanto, depois de tudo isso, nós continuamos a nossa
caminhada pela metrópole,
unidos
por um fone de ouvido, uma música pop chiclete e o silêncio branco de uma Nova
York que, por um momento, parecia pertencer apenas à nós dois; E por fim
paramos na frente da placa da rua Cornelia
Street(um local que só eu que sou super fã da Taylor Swifit e os demais swifties
entendemos) , com ele(o Benedetto) envolvendo-me em um abraço de urso para me
proteger deste frio intenso, descanso o seu queixo no topo de minha cabeça,
enquanto ambos sorriamos, felizes por estarmos juntos vivendo esse lindo e fofo
momento e gratos pela nossa maravilhosa história de amor, que com toda a
certeza deste mundo, saiu de uma comédia romântica.

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